Cozinha jornalística

Dezembro 5, 2009

2012

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 2:54 pm

Vamos e convenhamos. Se fossemos confiar nas profecias Maias, passando pelas “adivinhações” da Mãe Dinah (que, inclusive, não se manifestou desta vez) e chegando à Bíblia, que sempre prevê o fim do mundo, cada versículo em uma época diferente, o mundo já teria acabado diversas vezes, tudo já teria sido extinto diversas vezes, adeus. Na virada do milênio, inclusive, não se falava em outra coisa. Quando as torres gêmeas caíram, mais terrorismo psicológico, como se já não bastasse o feito pela AlQaeda e Osama Bin Laden.

Esses só os que eu vi. Teve também um extraterrestre em Varginha, para deixar todo mundo com medo, fenômenos e fenômenos paranormais daqueles que deixam o ser humano com a pulga (ou o E.T.) atrás da orelha. Mas o fato é: filmes podem retratar a beleza de se sobreviver a desastres naturais como os do tempo da Arca de Noé (não é novidade que o mundo alaga às vezes, visto Santa Catarina e São Paulo nos últimos anos), mas jamais poderão captar a real essência da coisa.

A verdade é que Deus não é vingativo, é justo e perdoa, mas está decepcionado com sua obra “perfeita”. Da inteligência, o homem fez bombas atômicas. De suas mãos, aprendeu a atirar. De suas pernas, a passar uns nos outros para ganhar… Um misto de situações em que o próprio homem se torna o lobo do homem, como já dizia Tomaz Hobbes. Nada criativo, nada moderno, pós-moderno ou contemporâneo. Desde que o mundo é mundo e a história é história, o homem tem tirado proveito da natureza, dos animais e até mesmo uns dos outros para sobreviver, viver e confortavelmente viver. Causar sofrimento alheio em benefício próprio, sem que isso realmente faça diferença. Destruir o mundo, que os homens, sinceramente, não merecem ter.

Pode até ser que não aconteça de o mundo acabar, como visto nas outras tantas profecias, mas não dá para negar que, com as coisas andando como estão, até que o homem merecia. E se todo mundo cansa de sofrer, talvez Deus também canse de se decepcionar. Ou não. Afinal de contas, o livre arbítrio nos foi dado juntamente com a consciência, que, quando pesa, pode até fazer milagres. O problema fica, mesmo, no “quando” em questão. Que venha 2012.

Novembro 18, 2009

Para refletir…

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 4:10 pm

” Se eu pudesse viver novamente minha vida. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Teria mais problemas reais e menos imaginários. Contemplaria mais entardareces. Brincaria mais com as crianças……….
Mas se pudesse voltar a viver trataria de ter somente bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos; não perca o agora.”

Jorge Luis Borges.

Novembro 11, 2009

PEC apagada

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 10:57 pm

Foi um apagão. Não daqueles que nos mandam tomar menos banho, ligar menos a TV e usar menos o computador para racionar energia. A Constituição (PEC), que torna obrigatório, novamente, o diploma para os profissionais de Jornalismo, mal foi falada pela imprensa. Em alguns jornais virtuais a notícia está lá, meio tímida, quase escondida. No Google, só uma pesquisa minuciosa dá conta do ocorrido. A Rede Globo nem quis saber, mesmo tendo se pronunciado a favor quatro meses atrás, quando o diploma caiu como uma pauta fraca. Mas não deixa de ser uma vitória.

Talvez o motivo tenha sido o apagão das quase 800 cidades brasileiras, que ocupou 99% (para não dizer 100%) do espaço nos noticiários. Sem querer desmerecer os motivos, a posição do Presidente do Brasil e dos Estados Unidos, além da repercussão internacional e da versão dos responsáveis por Itaipu. Mas a nossa tão querida, e tão sonhada, PEC dos Jornalistas ficou apagada, como São Paulo, Rio de Janeiro e outras tantas regiões do Brasil.

Mas não há como negar. Hoje, 11 de novembro, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou a obrigatoriedade do diploma para Jornalistas. Motivo para comemorações, sim. Afinal, uma burocracia a menos. Agora está nas mãos do Senado. Torcida, dedos cruzados. Mas não vamos nos enganar, como fazemos sempre com alguns clássicos. Afinal, o jogo só acaba após o apito final, o campeonato só acaba quando termina e o Rubinho… Bem, o Rubinho é o Rubinho…

Outubro 20, 2009

Testes psicológicos

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 2:35 pm

Todo processo de Trainee tem um. Psicológico, psico-técnico, psico-queremos-te-conhecer-pelo-amor-de-Deus. Talvez eles dêem certo. Talvez não. Como estou fazendo muitos processos, fiz muitos testes. Nesse momento, minha especialidade: eu mesma. Estou mestre, doutora em autoconhecimento, e a essa altura do campeonato posso dizer que ninguém me conhece melhor do que eu. Se tem um ponto positivo em estar à procura de uma oportunidade no mercado de trabalho (meu pai me ensinou a ser positiva quanto ao desemprego) é poder saber de você, seus medos, angústias, qualidades, pontos fortes e fracos para administrá-los e usá-los a seu favor. Alguns testes, sinceramente, dizem o óbvio. Mas fiz um hoje que fiquei admirada. Esse realmente funciona. Resta saber se vai me ajudar em alguma coisa…

Juliana da Silva Matos

Você gosta de educar, de orientar, de formar.
Você gosta de transmitir conhecimentos.
Seu Maior Talento: Educador

Este tipo de Talento tem a capacidade de aprofundar o conhecimento, sistematizá-lo e passá-lo adiante. Muitos são aqueles que sabem em profundidade mas não sabem transmitir. Muitos também são os que sabem e não se comunicam bem com as pessoas para gerar um clima de aceitação e motivação em torno do que precisam aprender. Este Talento sabe facilitar o aprendizado por mais técnico que ele seja. Sabe entender e ouvir as pessoas e procurar chegar até elas de forma diplomática e amável, porém mantendo a distância e o respeito necessários ao bom educador. Ele tem o tempero certo entre o contato e o retraimento, entre o envolvimento e o distanciamento. Isto lhe faz ser a autoridade amada pelos que têm o privilégio de ser educados por ele.

Outubro 19, 2009

Agradecimentos…

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 4:45 pm

Gostaria de agradecer a todos pelos comentários a respeito do meu texto sobre a morte de Luiz Gustavo de Faria Lima. Foram tantos que perdi as contas, aqui no blog, em comunidades no Orkut, por email, mensagens. Acredito que a frustração de grande parte dos jornalistas é exatamente não poder (ou, muitas vezes, não conseguir) retratar os acontecimentos com emoção. Estava no Intermed a convite de uma amiga que faz medicina, e ao ver aquela cena não podia deixar passar como um simples “morreu na noite de ontem”… Felizmente existem os blogs, em que podemos expor nossas idéias. O que aconteceu foi uma tragédia, e é difícil, para quem viu, não pensar no sofrimento de todos. Sofremos juntos, também. E desumanizar um momento que talvez seja o mais humano de uma família seria uma injustiça cruel. Não conheci o Luiz, mas tenho certeza que era um grande orgulho para a família e amigos. Mais uma vez, agradeço.

Outubro 14, 2009

Onde jornalistas não podem chegar

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 8:04 pm

A função de um jornalista nunca foi cobrir sentimentos. A informação é passada sempre da forma mais imparcial possível, verdade nua, crua e fria. Por isso peço licença aos meus colegas, pois vou falar de sentimentos. Vou falar porque acho que a situação merece, e o que eu vi, o que 4 mil pessoas viram, foi puro sentimento. Luiz Gustavo de Faria Lima, 22 anos, estudante de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Luizinho, para os colegas.

Era último dia do 16º Intermed, campeonato esportivo entre as faculdades de Medicina, em Pará de Minas. Organizado pela UFMG, começou com jornadas esportivas e festas na boate da cidade, continuou com presença da banda mineira BatCaverna e terminaria com o campeonato de Charangas, as bandas de cada faculdade. Foi aí que o pretérito tornou-se imperfeito. Depois da apresentação de Juiz de Fora, a escola campeã entrou em cena, seus macacões vermelhos, muitos participantes e gritos da torcida: Bem vinda Psicose, a charanga da Federal, e boa sorte.

Luizinho disse, para seu amigo, que passou um dia tranqüilo. Não bebeu, para não repetir o problema do ano passado, quando passou mal e desmaiou durante a apresentação. Em 2008 ele se levantou, a Psicose foi campeã, mas provavelmente o aluno queria repetir a dose sem causar a mesma preocupação aos seus colegas.

Eis que entrou a federal. Cheios de orgulho, começaram a apresentação como quem começava um show. Depois de surdos e repiques ecoarem no ginásio, Luizinho caiu. A colega, uma loirinha que tocava atrás dele, levou uma mão à boca e a outra para cima. O percussionista da banda mandou parar. E o choro invadiu o espetáculo. Um choro confuso, ainda, já que o aluno do sexto período se levantara das outras vezes, nos ensaios e outras apresentações em que não se sentiu bem.

Mas Luizinho não se levantou. Com os minutos passando, a preocupação tomou conta do ginásio. Mais de 10 minutos de massagem cardíaca. Luizinho seguiu ali, respirando fraco e tendo quatro paradas cardiorrespiratórias. A essa altura do campeonato, não se sabe porquê, não havia mais médicos no local e nem ambulância de pronto-atendimento. Eram todos estudantes de medicina. Estudantes. Assustados. O tempo, cruel com os que precisam de socorro, insistia em correr. Todos se afastaram e os seguranças colocaram grades em volta dos que prestavam socorro para que ninguém se aproximasse. Mais de 10 minutos de massagem, mas ninguém sabe ao certo quanto tempo. Até que, enfim, chegou a ambulância e Luizinho foi levado de maca. A língua, já roxa, caía para o lado da boca e os olhos já estavam semi-fechados. A charanga, reunida, acompanhou o colega até o hospital. E esse foi o único momento em que os alunos da federal sentiram que ninguém ali queria estar no lugar deles.

Palmas ecoaram no salão, talvez de apoio, talvez de consolo. O concurso de charangas foi cancelado. Juiz de Fora puxou e a arquibancada inteira acompanhou. Em uma roda que circundava a quadra do ginásio, 4 mil estudantes rezaram juntos por Luizinho. Um Pai Nosso e uma Ave Maria para colocar nas mãos de Deus o que sempre foi só de seu controle: a vida.

E todos foram para seus alojamentos. Às 22h chegou a confirmação do que ninguém queria. O orgulho da família Faria Lima não resistiu. Daí em diante pouco sei. Não estava com os alunos da UFMG, não sei como foi a reação dos colegas de Luizinho e de seus pais. Mas sei que ali as lágrimas eram insuficientes para os que sofriam. Afinal, médicos também choram.

Setembro 3, 2009

Rosa Negra

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 2:00 am

Foi assim:
Ele se apaixonou por uma rosa negra e então não voltou…

Ele escreveu um poema
e nele chorou, chorou…

Ele tentou se aproximar
tentou aparecer, tentou existir,
mas a rosa negra, negra rosa, nem notou…

Ele seguiu a rosa, mas não a tocou
e ela nem notou que mais um romântico a observava dali.

Então, ele tentou o telefone, o tal poema, mas a rosa mal ouviu.
Claro, como não, rosa negra, negra rosa, desejada por tantos!

Mas ele esperou…
dias, noites, ventos, cnuvas, sol, frio, calor…
Enfim a rosa apareceu, mais bela do que nunca.

Seu desprezo era tanto,
que de longe se ouviam os gritos de lamentação.

Mas ele não desistiu, parou a rosa negra, negra rosa, no meio da rua…
Ela sorriu, se encantou…
Ele então segurou sua mão…
a amarrou e começou a arrancar cada folha e cada pétala negra da rosa!
Ela sangrou, por dentro, e por fora, até morrer, e então para casa ele finalmente voltou…

(algo que escrevi por volta dos anos 2000… um clássico!)

Setembro 2, 2009

TRT

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 4:17 pm

O pior da vida é sentir uma pressão absurda por algo que nem se tem noção do que quer. Sim, talvez a inteligência seja capaz de permitir que se vá longe em salários, em benefícios e, sim, é tudo que todo mundo quer. Mas será que não viver a profissão é mesmo o melhor caminho a se seguir logo que se pega o diploma? Será que a onda de concursos não vem para mostrar à sociedade como a vida está cruel, e que todos os trabalhadores, concursados ou não, deveriam ser respeitados da mesma forma? Há algo de estranho ou no serviço público ou na sociedade. Mas, mais estranhamente está o desejo de cada um em ter todos os feriados, fins de semana, gratificações, salários gordos e nada para fazer. Pensamento de brasilidade é isso aí… Triste, mas unânime. Toda unanimidade é burra? Bem, se fosse, ninguém passaria em concurso.

Agosto 31, 2009

Às voltas por Tiradentes

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 5:11 pm

Sempre tive tendência ao drama. E quando as coisas complicam, esqueço o drama e tento parecer forte. Estranho, tanto quanto o Sarney ainda estar no poder.

Uma viagem sempre nos faz refletir sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Vantagens que só a estrada, os 120 km/h, nos fazem sentir. E a cidade de Tiradentes continua historicamente linda. Saudades talvez eu tenha das companhias insanas de momentos simples, ou da simplicidade de todas as insanidades compartilhadas. Um momento para parar e refletir. Um momento de um minuto, de uma hora, de um dia.

O certo é que um festival de gastronomia reúne arte, cultura, história, experiências e família. É mesmo uma pena que muitos achem que esse tipo de viagem é somente para comer. Mais do que isso, ao apresentar-se a uma culinária rica, aos sabores que lá se misturavam ao cenário inspirador, também você se apresenta a uma excelente oportunidade de enxergar mistérios da simplicidade de cada instante como o presente, ou como um presente. Vantagens que só a estrada, uma curta (ou longa) viagem pode nos proporcionar. Pelo fim da rotina, pelo começo das descobertas transcendentes. Por um minuto, uma hora, um dia. Faz diferença.

Julho 7, 2009

Formei

Arquivado em: Jornalismo — Juliana Matos @ 5:03 am

Formei. E a responsabilidade pelo que faço, pelo que sou, jornalista, é muito maior. Tenho nas costas, com meus colegas, a difícil tarefa de provar a necessidade (ou não) do nosso ofício como valorizada profissão. Não me perguntem qual será o futuro do diploma que eu não saberei responder. Sou à favor da educação e, portanto, da regulamentação de todas as profissões (e não o caminho inverso como estão fazendo). Formadores de opinião talvez sejam inofensivos, talvez não. Só o tempo irá responder. Do curso de jornalismo, adquiri bons e maus exemplos. Aprendi com os erros dos outros também, além dos meus. Na faculdade valem nota, mas na vida real valem um emprego. Que bom. Não sou utópica em querer mudar o mundo, mas também não sou cética quanto ao meu futuro. Jornalismo é isso: vocação, sabedoria e paixão transmitidas em uma mistura saborosa de palavras. Com ou sem diploma. Mas disso tudo, posso dizer que meu coração está tranqüilo. E a minha consciência também.

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